Lifestyle Diarista vira influencer e lança livro: 'Não acabei faxineira, comecei'

Diarista vira influencer e lança livro: 'Não acabei faxineira, comecei'

Faxineira e escritora, Verônica Oliveira viu uma reviravolta acontecer em sua vida após divulgar seus serviços de forma criativa

A dona do perfil @faxinaboa preza pela parte educacional da criação de conteúdo

A dona do perfil @faxinaboa preza pela parte educacional da criação de conteúdo

Divulgação

No imaginário brasileiro, “terminar a vida como faxineiro” pressupõe que uma pessoa não teve outras opções de trabalho. Essa não é a história de Verônica Oliveira, 39, ex-diarista e autora do livro Minha Vida Passada a Limpo. Quando começou a fazer faxina para se sustentar, ela não imaginava que dentro de três anos se tornaria uma “inspiradora digital”. Hoje fala com cerca de 324 mil seguidores no perfil Faxina Boa, e garante que seu trabalho está só começando.

"Muita gente diz que agora é muito fácil eu falar estando onde estou, mas não é”, reforça Verônica. Sua rotina enquanto trabalhava como diarista era exaustiva. Foram três anos saindo das casas das pessoas, indo para aula de noite e estudando comunicação aos sábados para chegar onde queria.

Ninguém viu quando eu pegava ônibus mancando de cansaço pra ir à aula suja, fedida, com sono, chorando. Ninguém quer saber se eu não tenho as digitais nos dedos das mãos porque produtos de limpeza corroeram.

Verônica Oliveira

Em um país que emprega quase 6 milhões de mulheres em serviços domésticos, segundo dados do IBGE de 2019, Verônica viu a necessidade de falar sobre os direitos dessas mulheres. As leis criadas recentemente que regulamentam a profissão (a PEC das domésticas, criada em 2011, completa dez anos agora), são uma parte importante, mas muitas ainda não sabem como se valer de seus direitos profissionais.

"Sou MEI, tenho o meu CNPJ. Quando eu me machuquei trabalhando eu não tinha, podia ter ficado em casa e recebido o auxílio doença, mas não aconteceu porque não sabia disso", conta ela, em busca de educar seu público quanto aos direitos.

Apesar do sucesso estrondoso, ela demorou para largar de vez as faxinas e focar integralmente na sua carreira nos meios digitais. "A pandemia foi a maneira que eu encontrei para sossegar e me dedicar a isso. No começo do ano, estava com 20 mil seguidores e no fim de 2020 eram 300 mil. Percebi que se eu me propuser a fazer algo, vou fazer." Em suas redes, o que não faltam são pedidos de dicas para uma faxina fácil. “A resposta? Pagando alguém para fazer, porque não tem jeito fácil. As pessoas querem que tudo dê certo, mas não querem se esforçar."

E o que será de agora em diante?

Como influenciadora, o trabalho de Verônica vai muito além das famosas publicações patrocinadas e “recebidinhos”. Para ela, a parte mais importante é a educação financeira de suas seguidoras, podendo dar uma perspectiva de crescimento para todas as pessoas com uma trajetória semelhante à dela. "Explico que se uma doméstica guardar 10% ao mês o ano todo, em dezembro ela tem sua ceia de Natal."

A “Faxina Boa”, como muitos a chamam nas ruas quando a reconhecem, afirma ter consciência de que a fase de “influenciadora faxineira” vai passar e, por isso, busca uma transição para ser reconhecida como a comunicadora que é.

Agora, os desafios são outros e mesmo estando em um lugar de grande visibilidade, ela sente que as pessoas ainda não a levam a sério. " As pessoas falavam mal do telemarketing, da faxina e agora falam mal do meu trabalho nas redes. Todo mundo diz 'ai que legal, você ganha coisas', mas eu não quero ganhar coisas, eu quero trabalhar."

*Estagiária do R7, sob supervisão de Andrea Giusti

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