Lifestyle Como abandonar crenças falsas e limitantes, segundo especialistas

Como abandonar crenças falsas e limitantes, segundo especialistas

Os consultores motivacionais Álex Rovira e Fernando Trías de Bes ensinam em livro como alcançar o que chamam de 'liberdade vital'

Dizer não àquilo que nos é negado é dizer 'sim' para a liberdade vital, afirmam especialistas

Dizer não àquilo que nos é negado é dizer 'sim' para a liberdade vital, afirmam especialistas

Marcelo Sayão/EFE

Falsas crenças herdadas, que muitas vezes não correspondem ao que pensamos, precisamos ou queremos, funcionam como negações que impedem uma pessoa de ser quem ela realmente é ou "pode ser", de acordo com os consultores motivacionais Álex Rovira e Fernando Trías de Bes.

As mudanças mais importantes em nossas vidas ocorrem quando temos a coragem de dizer não a algo que vai contra nossos desejos mais profundos, quando dizemos não ao que é imposto, sugerido ou sutilmente introduzido por outras pessoas, segundo esses autores.

“Pergunte a si mesmo: quais crenças restringem sua liberdade de escolha? Que proibições você impõe a si mesmo para impedir a satisfação de seus desejos? Que projeções ou expectativas sobre você mesmo dificultam que você seja quem realmente é?", aconselham.

Por que tantas pessoas - tenham ou não sucesso - se sentem forçadas a viver sem se sentirem satisfeitas? Quais são as dificuldades psicológicas, vitais e existenciais que impedem ou dificultam essa sensação de plenitude?

De acordo com os conselheiros de desenvolvimento pessoal e empresarial, esse problema está relacionado com a herança de crenças e condicionamentos que todos nós recebemos durante a vida.

“Essa herança é um conjunto de conselhos, normas, ordens, orientações e valores que internalizamos e recebemos ao longo da nossa educação, formação, vida familiar, formação religiosa, integração no trabalho, vida amorosa e social ", explicam.

Álex Rovira, graduado em ciências de negócios, palestrante e escritor, é especialista em psicologia da liderança. Fernando Trías de Bes, escritor e economista, é referência em inovação empresarial.

Capa do livro "A Boa Sorte", de Álex Rovira e Fernando Trías de Bes

Capa do livro "A Boa Sorte", de Álex Rovira e Fernando Trías de Bes

Reprodução

Ambos são conselheiros motivacionais e co-autores de um dos grandes clássicos do desenvolvimento pessoal, "La Buena Suerte" ("A Boa Sorte", em tradução livre), livro publicado em 2004 e traduzido do espanhol para mais 42 línguas.

Eles contam que, após a publicação desse livro, que se tornou um fenômeno editorial, outra transformação fundamental em suas próprias vidas surgiu a partir da seguinte pergunta: “Em que momentos de nossas vidas, fizemos uma mudança importante, significativa ou transcendental?"

Dizer 'não' a outro 'não' que foi imposto

Álex Rovira, graduado em ciências de negócios, palestrante e escritor, é especialista em psicologia da liderança

Álex Rovira, graduado em ciências de negócios, palestrante e escritor, é especialista em psicologia da liderança

Arquivo Pessoal

A resposta foi devastadora: “Essa mudança aconteceu quando tivemos a coragem de dizer não a ​​algo que ia contra nossos desejos mais profundos. Quando dizemos não àquilo que nos foi negado, quando dizemos não, a outro não imposto, sugerido ou sutilmente introduzido por outras pessoas, principalmente quando éramos crianças, mas também na vida adulta."

Essa revelação foi o ponto de partida de "As Sete Chaves", novo livro da dupla, focado em como alcançar a liberdade vital, entendida como “aquilo que te permite ser o dono da sua própria vida, e poder expressar o que você sente e pensa sem medo de sofrer retaliações."

“Dizer 'não' ao que os outros nos negam é dizer 'sim' à vida, dizer 'sim' à nossa liberdade vital", destacam Rovira e Trías de Bes.

"Aqueles "nãos" (não seja, não faça, não tente, não tenha, não acredite, não pense) são crenças falsas, normas imorais, medos infundados, culpa inexistente, dívidas com outros que não contraímos de fato, facetas de nossa personalidade que erroneamente atribuem a nós e ordens de outras pessoas que nos limitam", acrescentam os especialistas.

Fernando Trías de Bes, escritor, economista e referência em inovação empresarial

Fernando Trías de Bes, escritor, economista e referência em inovação empresarial

Antonio Navarro Wijkmark

De acordo com eles, essas negações são como obstáculos que afetam o julgamento e impedem a realização plena das pessoas. "Quando negamos aquilo que nos é negado, nos libertamos", enfatizam.

Para abandonar essas negações, que são como algemas que nos escravizam, restringindo nossa liberdade vital, os autores recomendam “tomar consciência do que limita, humilha, prejudica, condena, submete, escraviza, subjuga e, por fim, tira nossa alegria, energia e vida."

Cinco passos para a libertação vital

O primeiro passo rumo à liberdade é observar as próprias emoções, diz Rovira

O primeiro passo rumo à liberdade é observar as próprias emoções, diz Rovira

Pixabay

Para conquistar a liberdade vital e poder viver de acordo com a nossa essência, Rovira sugere como primeiro passo observar as próprias emoções e suas manifestações físicas.

“Há infelicidade, angústia, frustração, raiva, culpa? E elas se manifestam fisicamente? Você tem dores nas costas, fadiga crônica?", questiona. “Sintomas que se manifestam no corpo denunciam a existência de uma fonte de dor, insatisfação ou sofrimento”, ressalta.

Uma vez observado o sintoma, a segunda etapa é refletir e identificar de onde vem esse mal-estar.  Para isso, é preciso começar a fazer perguntas a si mesmo, que ajudem a trazer à tona aquilo que nos faz sofrer, mas que ainda está oculto em nosso inconsciente.

"Portanto, pergunte-se: quais crenças restringem sua liberdade de escolha? Que proibições você impõe a si mesmo para impedir a satisfação de seus desejos? Que projeções ou expectativas sobre si mesmo impedem que você se torne quem quer ser?", aconselham os especialistas.

“Quando refletimos, escrevemos ou dialogamos com nós mesmos, trazemos à luz esse mal-estar interior",  afirma Rovira. "Nesse processo, pode ser útil o acompanhamento de alguém que “atue como espelho”, ou seja, nos ouça sem fazer julgamentos e aponte o que percebeu em nosso comportamento da forma mais neutra possível ”, completa.

Mais aceitação

O terceiro passo é a aceitação, que não deve ser entendida como sinônimo de resignação, mas sim como um trabalho de sensibilização, reconhecendo, por exemplo, que temos medos infundados de correr riscos ou de fazer certas coisas, e que esses medos não se devem a uma ameaça real, mas imaginária.

Rovira acrescenta que é necessário reconhecer que muitas vezes acreditamos seralgo que não somos. "Disseram que sou desajeitado e eu acredito nisso, mas, na verdade, ao longo da minha vida, tenho mostrado em muitas ocasiões que a falta de jeito não é uma característica minha", exemplifica.

“Isso significa aceitar e reconhecer a existência de um problema”, resume o escritor.

Agir com determinação é necessário para concretizar a mudança de vida

Agir com determinação é necessário para concretizar a mudança de vida

IMEO

O quarto passo é ter coragem para realizar a transformação necessária. "Uma vez que identificamos o problema, temos duas opções: continuar engolindo a realidade ou começar a transformar nossa vida pela coragem ”, afirma Rovira.

Essa coragem é entendida “não como ausência de medo, mas como a consciência de que vale a pena correr riscos para conquistar nossa liberdade vital e nos libertar das negações e crenças que herdamos dos outros”, descreve ele.

O quinto passo consiste em agir com determinação: "Para que este desejo de transformação e realização se torne realidade”, concluem os autores.

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