Novo Coronavírus

Comidas De doces a bebidas e sanduíches, delivery se reinventa na pandemia

De doces a bebidas e sanduíches, delivery se reinventa na pandemia

Empresas tiveram de rever seu posicionamento após o isolamento social imposto pela covid-19 para ampliar oferta de comida entregue em casa

  • Comidas | Luciana Mastrorosa, do R7

Hambúrguer e fritas do Alcids BBQ, em Santo André, que se rendeu ao delivery na quarentena

Hambúrguer e fritas do Alcids BBQ, em Santo André, que se rendeu ao delivery na quarentena

Divulgação/ Alcids BBQ

Em uma cidade que nunca para, como São Paulo, o isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus atingiu em cheio alguns setores, especialmente o de bares, restaurantes e lanchonetes, que tiveram de fechar suas portas.

Para amenizar a crise e conseguir ultrapassar essa fase, com o bônus de poder ajudar quem está em casa e manter a economia girando, muitos estabelecimentos acabaram se reinventando e apostando no delivery. Mais abaixo, veja a galeria de fotos com diversas opções de restaurantes que abraçaram os serviços de entrega para manter o negócio ativo, de hambúrgueres até doces e drinques. 

Restaurante de luxo quer manter 'cara de chef' nos pratos do delivery

É o caso do Emporim do Diguinho, restaurante no bairro da Pompéia, na zona oeste da capital paulista. Heloísa Soriano, sócia da casa ao lado do marido, Rodrigo Ferreira, o "Diguinho", conta que, antes da pandemia, não via com bons olhos o serviço de entregas. Mas essa foi a solução encontrada para continuar servindo seus pratos, focados em carnes grelhadas e defumadas. 

"A gente nunca trabalhou com delivery. Abrimos em agosto de 2018, tínhamos encomendas pontuais e não queríamos colocar nossos pratos nos aplicativos de entrega, preferíamos que o cliente viesse conhecer nosso salão. Mas aí veio a pandemia e mudou tudo", diz Heloísa.

Fraldinha grelhada do Emporim do Diguinho, na Pompéia, zona oeste de São Paulo

Fraldinha grelhada do Emporim do Diguinho, na Pompéia, zona oeste de São Paulo

Divulgaçãoo/ Emporim do Diguinho

Adaptações e redução de custos

"Ou a gente parava e retornava quando possível ou se adaptava ao delivery. Então, nos cadastramos em todas as plataformas, mas conseguimos manter também uma boa base de clientes no Whatsapp. Mandamos as sugestões e eles podem pedir direto por lá", conta ela.

A entrada nos aplicativos de entrega e as portas fechadas obrigaram a equipe a se reduzir e se reinventar. Assim, eles mantiveram no cardápio o que tinha mais saída e buscam inovar sempre, de modo a aproveitar ao máximo os estoques.

"Foi assim que tivemos a ideia da feijoada com itens que defumamos na casa, com lenha de árvores frutíferas. Para o rib eye, um corte normalmente servido grelhado, criamos também a versão à parmegiana, que tem feito muito sucesso", garante Heloísa. "O negócio é enxugar bastante os custos, aproveitar os estoques e criar coisas novas com o que temos."

Monster Burger, do Rosso Burguer, no Tatuapé, campeão de pedidos no delivery

Monster Burger, do Rosso Burguer, no Tatuapé, campeão de pedidos no delivery

Divulgação/ Rosso Burguer

Hambúrgueres e carnes fazem sucesso

Mario Rosso é proprietário de dois restaurantes no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo. A Osteria del Rosso, dedicada a cozinha italiana contemporânea, teve de fechar as portas assim que a pandemia começou. Mas, como uma alternativa aos dias difíceis, e não deixar o negócio parado, Mário investiu no delivery do Rosso Burguer, casa dedicada aos sanduíches que caíram no gosto do paulistano.

"No início da pandemia, a gente manteve a hamburgueria aberta, que é comida de fácil acesso, e passamos a trabalhar com o delivery, que tem funcionado bem. Fazemos cerca de 40 entregas por noite, de segunda a segunda", afirma. "Aumentou bastante o movimento do delivery, principalmente no início de semana, que era mais fraco", diz Mário. Para manter o negócio funcionando, os cuidados com a higiene foram reforçados. E, no caso dos pedidos retirados no local, os funcionários usam máscara e têm pouquíssimo contato com os clientes.

Em Santo André, o Alcids BBQ, que tem poucos meses de abertura, também precisou formas de se recriar em meio ao isolamento social. Para contornar as portas fechadas, a solução foi apostar nos aplicativos de entrega e em muita divulgação do delivery, principalmente nas mídias sociais. 

"A gente teve um retorno muito positivo nos aplicativos de entrega. E, como somos um restaurante de churrasco americano, conseguimos trabalhar os pratos muito bem para funcionar no delivery. Criamos várias opções novas, toda semana tem novidade. Inclusive, pratos para toda a família", conta Narahi. As carnes e os hambúrgueres são alguns dos pratos de maior saída, assim como um kit que a chef criou para degustar todas as carnes defumadas na própria casa.

"Agora, o nosso público já se acostumou. Aos sábados e domingos, tem sempre carnes defumadas, como cupim e costela de boi defumada, costelinha barbecue em tamanho maior, e a 'smoker box', que traz um pouco de cada defumado que fazemos aqui", diz a chef.

As embalagens de delivery do Mytho, especializado em comida grega e mediterrânea

As embalagens de delivery do Mytho, especializado em comida grega e mediterrânea

Divulgação/ Mytho

Comida internacional a um clique

Além das lanchonetes e dos restaurantes e bares menores, com ambiente mais informal, alguns estabelecimentos mais sofisticados também abraçaram o delivery neste momento. Inclusive, aqueles de cozinha internacional, como o Mytho, focado na culinária grega, na Vila Nova Conceição, e o Antonietta Cucina, de cozinha tradicional italiana, com uma unidade em Higienópolis e diversas outras pela cidade.

No caso do Antonietta, há um cardápio especial para a entrega, com pratos prontos e semi-prontos, em que as massas e os molhos são enviados em separado para serem finalizados pelo cliente. “Mesmo não sendo necessário, desta maneira o cliente pode dar seu toque final ao prato, ou ainda, prepará-lo nos horários quando o restaurante está fechado”, explica o sócio e sommelier Alessandro Tagliari.

Já o Mytho oferece uma seleção de pratos clássicos e contemporâneos das cozinha grega e mediterrânea, como a moussaká, à base de berinjelas, creme de queijo e palha de batata doce. A comida segue embalada em recipientes especiais, para quem cheguem à mesa do cliente na temperatura certa. “Aqui é para quem busca pratos bem elaborados, gostosos e que fogem da mesmice”, afirma Ronaldo Poiatti, que comanda o estabelecimento. 

Docinhos, pão artesanal e até drinques

E, para os que sentem saudade de tomar um drinque com os amigos, comer um docinho ou tomar um café da manhã caprichado, há confeitarias, padarias e até uma marca de coqueteis prontos fazendo entregas para o consumidor.

Na zona norte de São Paulo, a Panni, focada em pães artesanais, articulou seu serviço de entregas rapidamente. "A pandemia forçou a gente a dar início a isso", diz Pedro Fargetti, sócio proprietário da casa. "Teve todo esse processo de se filiar aos apps de delivery e a implantar o nosso também. Cada dia é um aprendizado", lembra ele. Hoje, os consumidores da região podem comprar não apenas seus pães e doces caprichados da Panni, mas também pizzas - estas, exclusivas no horário noturno.

Um casos muito interessante é o da Bitter & Co, empresa pequena e familiar que produz drinques clássicos, como negroni e rabo de galo, já engarrafados e prontos para consumo. André Clemente, que comanda a marca, ficou tenso logo que começou a pandemia, pois seu público principal era composto de casas pequenas, como hamburguerias e pizzarias.

"A gente atendia muita gente, em diversos estados, sempre com demandas para esses lugares menores, para quem não compensava ter um serviço de bar", conta André. "Daí veio o coronavírus e a gente se viu, de repente, sem público. Foi aí que me associei ao Rodrigo Campos, da Ice 4 Pros, e apostamos em kits com as garrafas de drinques prontos, que já acompanham gelos especiais. É só montar o coquetel e tomar", afirma. Agora, o delivery vem tomando fôlego, inclusive, para consumidores finais - e o gelo especial vai junto, devidamente refrigerado.

Com a tradicional confeitaria Dulca, de São Paulo, ocorreu algo parecido. Apesar de, hoje, a marca ser uma rede com diversas lojas e franquias, a pandemia afetou o financeiro da mesma forma. "Sofremos muito com a chegada do coronavírus. Nossas lojas tiveram uma redução de 80% das vendas, porque muitas delas estão situadas dentro de hospitais. E ninguém quer tomar um café e comer um doce gostoso dentro de um hospital", afirma Natália Negrini, sócia da rede.

E o isolamento social se intensificou, justamente, na época da Páscoa, um dos períodos de maior venda para a Dulca, que aposta bastante em chocolates. "Foi aí que sentimos a necessidade de vender a nossa produção nos aplicativos de delivery", conta ela.

"A gente não tinha nenhum canal de encomenda pronto, não estávamos nos aplicativos. Então, fizemos uma força tarefa de esquematizar tudo em apenas uma semana. "Se eu pudesse dar uma dica para os colegas da área é: abra seu delivery, isso não vai te salvar, mas vai amenizar as dores para enfrentar a crise", recomenda Natália.

Últimas