Catastrofismo: você certamente já ouviu falar!

Agir sob impulso emocional faz com que tomemos atitudes precipitadas e, assim, podemos sair prejudicados

Todos nós cometemos algumas bobagens quando tomamos atitudes baseadas no pensamento emocional e não no raciocínio lógico e, por consequência, nos metemos em apuros. Nossa maneira de ver determinada situação pode facilitar a tarefa de lidar com ela ou tornar praticamente impossível enfrentá-la.

Da mesma forma que desenvolvemos bons e maus hábitos no modo de agir, como escovar os dentes, pentear o cabelo, roer unhas, não se exercitar, também desenvolvemos bons e maus hábitos na maneira de pensar, e não resta dúvida de que o que se passa na sua cabeça afeta seu estado de espírito e, por consequência, as suas ações e reações.

Pessoas que sofrem do chamado catastrofismo são como o galinho Chicken Little, personagem de história infantil atingido na cabeça por uma amêndoa que cai de uma árvore e por causa disso conclui que o céu estaria desabando e aos gritos sai em disparada alertando toda a bicharada. Nos tornamos catastróficos quando escolhemos o pior ponto de vista e transformamos pequenas ocorrências em grandes desastres.

Nos tornamos catastróficos quando tomamos uma decisão ruim e fazemos de pequenas ocorrências, grandes desastres

Nos tornamos catastróficos quando tomamos uma decisão ruim e fazemos de pequenas ocorrências, grandes desastres

R_R_Studio/Pixabay

Em certas ocasiões, é fácil escorregar automaticamente para o pessimismo. Quem nunca abriu a caixa de correios cheia e pensou: "só podem ser contas a pagar!" Chega um bilhete da escola do filho e o primeiro pensamento é: "o que é que ele aprontou desta vez?"

A grande questão é que, celebridades, ou não, temos nossa própria audiência. Em casa, os nossos espectadores estão atentos a cada tom e todos os movimentos. Nos observam e nos copiam até no nosso otimismo. Nós modelamos os padrões de comportamento dos nossos filhos e o nosso superdimensionamento para cada problema será a lente que eles terão para a ótica da vida. Pelo menos até que amadureçam e descubram outras maneiras de ler o mundo e os acontecimentos.

Você é o tipo de pessoa que constantemente reage de forma exagerada mesmo diante de pequenos problemas? As pessoas te recriminam por transformar ratos em rinocerontes? Agita-se com facilidade? Diante de situações novas, pensa que nem adianta tentar porque não dará certo? As palavras influenciam, mas o exemplo arrasta. Pense nisso na próxima vez que fizer a leitura de uma determinada situação.

Os constantes pensamentos negativos nos tornam inseguros, amedrontados, improdutivos e péssimos influenciadores dos nossos filhos. E aqui vai uma dica para que você aprenda a identificar suas ideias negativas sobre fatos, coisas ou pessoas. Você pode começar se perguntando: O que me leva pensar assim? Será que eu tenho certeza? O que de pior pode acontecer? Será que eu suporto? Outros já suportaram? Você perceberá que as respostas serão bem menos catastróficas do que os pensamentos destrutivos automáticos que insistem em dominar.

Não estou falando de pensamento positivo, embora o otimismo faça toda a diferença na nossa vitalidade, mas de pensamento realista, aquele que te possibilita ver as coisas como elas verdadeiramente são, sem lentes de aumento. Desenvolva o bom hábito de questionar ou rechaçar seus pensamentos negativos. Pode ter certeza de que em casa tem alguém de olho nas suas perspectivas!

* Neia Dutra
  Mãe
  Psicóloga
  Coordenadora do Projeto Escola de Mães