Blogueirinha, sim! Entenda a rotina de quem ganha para postar na web

Estudar, pesquisar, gravar e produzir. Trabalhar como influenciador está longe de ser apenas recebidinhos legais e fotos glamourosas. Saiba mais

Larissa Cunegundes, influenciadora de moda e beleza

Larissa Cunegundes, influenciadora de moda e beleza

Reprodução/Instagram

Já assistiu aos stories da sua blogueirinha favorita hoje? Deu like no post, salvou os looks e mandou para aquela amiga que curte o mesmo estilo que você? Tirando a parte dos tracinhos incontáveis do Instagram Story, isso tudo pode ser feito em menos de um minuto.

Acontece que, na maioria das vezes, as influenciadoras levaram muito mais tempo para chegar ao resultado final daquele post. Entre um carão e um recebidinho daquela marca super legal, existe o trabalho de quem assumiu a função de influenciador digital como profissão.

Recentemente, Shantal Verdelho foi criticada na internet depois de compartilhar sua agenda semanal. Além das aulas de inglês e treinos com o personal, gravar stories e fazer posts estavam entre os compromissos diários da influenciadora. “Para quem acha que ‘blogueirinha’ não trabalha”, escreveu. Os internautas, no entanto, não concordaram. “A realidade do Brasil é pegar ônibus 6h da manhã e trabalhar 12h por dia”, disparou um usuário do Twitter.

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Issaaf Karhawi, pesquisadora em Comunicação Digital e doutora pela USP, explica que a recusa por parte de alguns internautas de entenderem que ser um influenciador é uma profissão está relacionado com o fato de que, muitas vezes, eles são encarados como celebridades convencionais, como se estivessem vivendo seus 15 minutos de fama enquanto compartilham a vida de glamour nas redes sociais.

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As pessoas acham que é só postar uma foto bonita e pronto, mas existe todo um processo por trás.
Larissa Cunegundes, influenciadora

“A diferença deles para os líderes de opinião tradicionais, analógicos, está na produção de conteúdo regular e na visibilidade midiática que o digital proporciona. É preciso ter em mente que influência não é característica inerente, mas algo que se consolida e se constrói em determinado grupo social. É resultado e não precedente. Para ser blogueiro, influenciador ou produtor de conteúdo é preciso construir reputação e ser legitimado pelos públicos”, diz a pesquisadora.

Blogueirinha profissional

“Toda profissão tem suas competências e habilidades, ainda que o influenciador não seja uma profissão regulamentada, é um trabalho que exige compreensão de marketing digital, de como fazer um bom texto e uma boa foto”, explica Karhawi.

A blogueira Yaah Fassbinder que o diga. No Instagram, ela reúne mais de 98 mil seguidores e foi a responsável por criar o #7LooksChallenge, desafio que propõe montar looks para uma semana inteira repetindo as mesmas peças chaves.

Mas, antes de chegar à rede social com suas dicas de estilo, a influenciadora se formou em moda e concluiu uma pós-graduação em pesquisa e comunicação de moda.

“Eu faço cursos para entender melhor como funciona a plataforma, como o público muda, principalmente nesse momento de pandemia. Acho muito importante estudar porque é uma profissão, que além de ser nova, a gente não sabe de tudo e é algo que está em constante modificação. O que funcionava no começo do ano, não funciona agora”, afirma @yaah_

Yaah Fassbinder criou desafio de moda no Instagram

Yaah Fassbinder criou desafio de moda no Instagram

Reprodução/Instagram

Nos stories, Yaah costuma mostrar os bastidores das suas produções e conta que algumas delas já leveram até quatro dias para ficarem prontas.

Quem também aderiu à prática foi a influenciadora Larissa Cunegundes, que produz conteúdo sobre moda e beleza para 118 mil seguidores no Instagram. Ela, que é formada em Jornalismo e já fez cursos de fotografia e branding, passou a compartilhar o backstage em busca de valorização para seu trabalho.

“Eu gosto de mostrar como fica minha casa, porque além de você ter que usar a sua criatividade para montar um cenário, depois precisa fazer a pós-produção, que é desmontar tudo. As pessoas acham que é só posar, postar uma foto bonita e pronto, mas existe todo um processo por trás", afirma @laricunegundes.

Ela ainda conta que faz um estudo das marcas antes de produzir as publicidades. “Gasto tempo fazendo pesquisa para saber quais cores que vão ornar mais com determinado trabalho, estudo a fundo todas as marcas que vou trabalhar para trazer a identidade para minhas fotos. Então eu acho que é um pouco bobo as pessoas ainda acharem que ser blogueiro é uma coisa fútil”, diz. 

Não é só ganhar as coisas de graça, presto conta e pago imposto.
Yaah Fassbinder, influenciadora

No caso de Yaah, ela precisou convencer a si mesma de que ser blogueira era a profissão que tinha escolhido. “No começo a gente mesma não valoriza muito, porque começa como um hobby e depois vai se transformando em um trabalho, mas precisei sair do meu emprego formal para me dedicar somente a isso. Hoje pago imposto, presto conta, não é só ganhar coisas de graça".

Na relação que construiu com os seguidores, a blogueira conta que já colhe os frutos do reconhecimento do seu trabalho. “Cada vez mais as pessoas estão entendendo, meus seguidores têm comentado nos meus posts ‘poxa, isso deve ter dado muito trabalho’, então eles estão notando isso”.