Bichos População abandona animais na China por medo do coronavírus

População abandona animais na China por medo do coronavírus

Tutores estão deixando bichos de estimação após fala de especialista sobre quarentena dos pets

População de Wuhan abandona cães e gatos por medo de contágio

População de Wuhan abandona cães e gatos por medo de contágio

Reprodução

Animais de estimação são vítimas colaterais do coronavírus que causa pânico em grande parte da população chinesa, sofrendo com abandono por medo de transmitirem a doença.

A suspeita é que a transmissão aos seres humanos do coronavírus Wuhan esteja relacionada à venda e consumo de animais selvagens, e as autoridades decidiram suspender, pelo menos temporariamente, essas atividades. Especialistas afirmam que havia um "animal intermediário" entre esses mamíferos e pessoas, e poderia se tratar de um morcego.

Esse 'elo perdido' já havia levantado suspeitas. Mas o que gerou pânico entre muitos donos de animais de estimação foram as palavras de Li Lanjuan, especialista do comitê nacional que investiga o coronavírus, que disse em uma entrevista recente que animais de estimação que foram expostos a surtos epidêmicos também deveriam ser colocados em quarentena.

O filtro das redes transformou essa mensagem prudente em "animais de estimação podem pegar o coronavírus", apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) garantir que ainda não há evidências disso.

Embora seja verdade que já existem tipos conhecidos de coronavírus que afetam cães e gatos, a transmissão ocorre apenas entre membros da mesma espécie e não para humanos, por isso os especialistas descartam, no momento, que o vírus Wuhan possa chegar a esses animais.

Nos últimos dias, houve inúmeros casos de abandono de animais e circulam boatos de que alguns foram mortos por seus donos.

A situação foi recentemente resumida pelo blog veterinário 'Cute pet doctor': "Nesta epidemia, os rumores são mais destrutivos que os vírus".

"A polícia deve parar e punir as pessoas cruéis que estão matando esses animais", disse Jason Baker, da ONG Pessoas para o Tratamento Ético dos Animais (PETA).

A cidade de Wuhan, epicentro do surto, está em quarentena desde 23 de janeiro. Antes desse dia, cinco milhões de habitantes deixaram a cidade e não puderam retornar devido ao fechamento dos acessos.

Muitos deixaram seus animais de estimação em casa com comida e água suficientes para alguns dias, com a intenção de retornar após o feriado do Ano Novo Chinês. Incapaz de fazê-lo, seus animais ficaram presos em suas casas sem os cuidados de que precisavam.

Várias associações de animais da cidade se mobilizaram - em um momento em que ninguém quer sair – para ir as casas de donos de animais que pedem ajuda para alimentar e dar de beber aos animais, cuidar da higiene e até mesmo levá-los temporariamente para a casa de amigos.

Segundo a Wuhan Small Animal Protection Association, existem entre 300 e 600 cães e gatos domésticos na cidade, que tem 11 milhões de habitantes.

Até agora, cerca de 70 voluntários da organização foram a mais de 500 casas e receberam pedidos para ir para outras três mil.

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