Beleza Dermatologista Katleen Conceição dá lição de beleza para negras

Dermatologista Katleen Conceição dá lição de beleza para negras

Única médica do País especializada em peles negras, dra. Kat treinou em si mesma para chegar aos melhores tratamentos 

  • Beleza | Deborah Bresser, do R7

Dra. Kat virou referência em cuidados para pele negra do País

Dra. Kat virou referência em cuidados para pele negra do País

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Qual é a cor da sua pele? Nem toda brasileira é capaz de se encontrar em uma cartela que pode chegar a 35 tons diferentes. No caso das peles mais escuras, assumir que faz parte de uma etnia fadada ao preconceito fica pior ainda.

Mas está em curso um movimento, liderado por jovens negras, que incentiva mulheres a assumirem e aceitarem sua cor. Da mesma forma como ocorreu com os cabelos crepos, afro e cacheados, a tendência é de que a cor de pele também passe a ser um poderoso instrumento de empoderamento. 

A constatação ganha aval de uma das profissionais mais bem sucedidas do País na área de beleza negra. Katleen da Cruz Conceição, também conhecida como dra. Kat, é a única dermatologista do País especializada em peles negras.

Ela desenvolveu, com muito estudo, pesquisa e testes em si mesma, tratamentos que atendem questões dermatológicas que têm maior incidência em peles escuras. 

— Muitos colegas tinham medo de atender pessoas negras e mandavam pra mim. Pensavam: ela é negra, deve saber. Mas nem tudo eu conseguia diagnosticar. Fazia laser em mim, me queimei, fui testando. Já são 20 anos estudando isso.

Atualmente, a dra. Kat chefia o ambulatório de pele negra da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, onde faz trabalho voluntário, atendendo pessoas carentes com doenças dermatológicas.

Katleen também comana o setor de pele negra da clínica dermatológica Paula Belloti, em que recebe sua lista de pacientes-celebridade, como Taís Araújo, Lázaro Ramos, Preta Gil, Izabel Fillardis, Cris Vianna, Hugo Gloss e Thiaguinho. 

— Eu amo ser médica. O paciente famoso me deu a notoriedade, mas quero que as pessoas tenham acesso às informações. Pela notoriedade as pessoas acabam sabendo do meu trabalho e sabendo que podem ser tratadas de suas patologias.

Segundo a médica, a maior parte da população negra sequer tem noção de que existem tratamentos para suas principais queixas, como  manchas, tanto no rosto quanto no corpo, marcas de picada de mosquito, queloide, pele ressecada, melasma. A pele mancha com mais facilidade por ter mais melanina. As pessoas não sabem que é possível fazer laser, peeling, usar o ácido glicólico.

A blogueira Sah Oliveira, digital influencer na área de beleza negra, relata que, como ela, muitas mulheres negras têm medo de procurar profissionais, exatamente pelo receio de usar ativos que possam ser prejudiciais. 

Médica é voluntária na Santa Casa e atende pessoas carentes

Médica é voluntária na Santa Casa e atende pessoas carentes

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A dra. Kat se empenha em fazer um atendimento profundo e analisar o cliente da cabeça aos pés.

— Eu oriento o paciente e mostro quais as possibilidades de tratamento. Estrias, por exemplo. A maioria acha que não tem como melhorar, mas tem sim, o laser fracionado. 

Katleen acredita que há uma questão mais profunda envolvendo a distância do paciente negro dos consultórios.

— Os médicos brasileiros acham que paciente negro não vai gastar, não enxergam essa população como consumidora. Eu sei que mesmo a pessoa mais carente irá se organizar e gastar para ter acesso a uma tecnologia mais eficaz.

Essa noção de que negros não são consumidores leva também a uma falha no mercado de produtos. Nos Estados Unidos já há linhas específicas para peles negras, mas isso ainda é incipiente no Brasil.

— Eu sou negra, todo mundo no Brasil tem essa necessidade. Um protetor solar, um gel creme, um sérrum, um hidratante bem denso para o corpo. O problema é que acham que o negro não tem dinheiro para comprar... 

Dra. Kat também defende que é preciso perder o medo de se falar em pele negra como se fosse uma ofensa. 

— Meu pai me criou desta forma. Nunca dei bola se alguém me chamava de feia. Aprendi a ser a menina mais linda do mundo, porque meu pai trazia dos congressos a revista Ebony, minha referência era a Tina Turner, nunca quis ser Xuxa. Hoje em dia há mais referências. Mas a gente vê os produtos, as propagandas, é todo mundo loiro, de olho azul e rico. Não me representa.

Em sua opinião, a presença das influenciadoras digitais nesse segmento é fundamental. Trata-se de representatividade. 

— Tem de ser gente real, veja o que aconteceu com as crepas e cacheadas, que tiveram incentivo das blogueiras para assumir os cabelos naturais. Sou uma pessoa pé no chão, não sou médica blogueira, sou amiga dos meus pacientes. Sou acessível. Atendo todos da mesma forma. 

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