Entenda o que é e como a endometriose afeta a vida da mulher

Saiba quais são os principais sintomas, riscos e tratamentos para essa doença

Você sabe o que é a endometriose? Diagnosticada, em sua maioria, no período de reprodução, essa doença ginecológica tem como principais sintomas cólicas fortes, náuseas e desconforto durante as relações sexuais. Ela consiste na presença de tecido endometrial fora do útero e, segundo a Associação Brasileira de Endometriose, 15% das mulheres em idade reprodutiva – dos 13 aos 45 anos – podem desenvolvê-la.

Apesar de ser uma doença benigna, tem altos níveis de morbidade. Pois o quadro doloroso pode levar, em muitos casos, a um intenso desgaste físico e mental, com grande comprometimento da qualidade de vida, tanto no aspecto profissional, quanto emocional e afetivo. Saiba mais sobre suas causas e tratamentos.

O que é a endometriose: doença da mulher moderna

Definição

O ginecologista e obstetra Ricardo Schawrz destaca a endometriose como uma síndrome caracterizada pelo crescimento externo do endométrio (tecido que reveste o interior uterino). “Quando, mensalmente, o tecido fica mais espesso e não há fecundação, o endométrio descama e é expelido por meio da menstruação. Em pacientes com endometriose, o que ocorre é que, uma parte desse sangue migra para os ovários e a cavidade abdominal, provocando uma lesão que chamamos de endometriótica”, explica o especialista.

Principais sintomas

Os sintomas incluem cólicas menstruais intensas e dor durante a menstruação, no período pré-menstrual, durante as relações sexuais e crônica na região abdominal. Além disso, pode haver dificuldades para engravidar e alterações intestinais e urinárias durante a menstruação. A sensação de exaustão e a fadiga crônica também podem aparecer.

Infertilidade

Bastante dolorosa, essa doença também pode gerar infertilidade. Dados disponibilizados pela Associação relatam que, em 20% dos casos, as mulheres queixam-se apenas de dor; em 60%, apresentam dores e infertilidade e, nos outros 20%, apresenta-se infertilidade.

Mesmo com técnicas de reprodução assistida, pacientes com endometriose têm menor taxa de gravidez do que as que não apresentam a doença. O tratamento pode promover importante melhora do quadro doloroso, qualidade de vida e fertilidade. Há várias opções de tratamento clínico e cirúrgico, e a escolha da melhor opção sempre foi muito controversa, devendo ser individualizado caso a caso. 

Tratamentos

O diagnóstico é feito por exames, como a ultrassonografia endovaginal e o de toque. Seu tratamento, explica o especialista, tem duas vertentes: a cirúrgica e a medicamentosa. “Na laparoscopia (tratamento cirúrgico), a endometriose é removida. Em alguns casos, retira-se apenas os focos da doença, nos mais graves, é retirado os órgãos pélvicos afetados”, esclarece o obstetra.

O tratamento por medicamentos deve ser acompanhado do médico especialista, que indicará o melhor para cada caso.“Infelizmente, não existe cura permanente para esta doença. O tratamento e acompanhamento médico ajuda a aliviar as dores e favorece a possibilidade da realização do sonho de engravidar. Nosso papel, como ginecologistas, é ajudar a paciente a conviver e enfrentar as consequências desta síndrome, tanto no trato médico, como no trato humano”, finaliza.

Sem prevenção

Devido às suas características, prevenir a endometriose é praticamente impossível, uma vez que a causa não está relacionada a hábitos alimentares ou comportamentais. O problema é que a ciência ainda não sabe exatamente por que o tecido endometrial não é eliminado totalmente junto com o fluxo menstrual. Por outro lado, alguns estudos apontam que a incidência da doença é menor entre mulheres que usam anticoncepcionais orais (pílula), uma vez que interrompem o ciclo menstrual.

O número de casos tem aumentado cada vez mais em virtude das mudanças sociais. O que ocorre é que a mulher moderna tende a engravidar cada vez mais tarde, uma vez que busca uma estabilidade financeira, profissional e emocional antes de ter filhos. No entanto, nem todas usam o anticoncepcional oral e assim menstruam mais vezes, aumentando o risco de desenvolver endometriose, o que, inclusive pode dificultar uma futura gravidez, já que a doença é um fator de risco para a infertilidade.

Durante a gravidez

Sempre se acreditou que a endometriose melhorava com a gravidez, que após ter sido conseguida, não apresentava riscos. Porém, uma publicação da revista internacional Fertility & Sterility, em outubro de 2017, demonstrou que a endometriose pode, sim, ser prejudicial. Os pesquisadores avaliaram 24 estudos publicados, incluindo 1.924.114 mulheres, comparando os resultados obstétricos daquelas que tinham endometriose com outras sem a doença.

Os autores demonstraram que pacientes com endometriose têm risco aumentado de aborto, placenta prévia, parto prematuro, sofrimento fetal e necessidade de cesária, se comparadas a mulheres sem endometriose. As razões apontadas incluem o fato de que a endometriose causa um processo inflamatório intenso e as citocinas inflamatórias provocam alteração no miométrio (músculo da parede do útero), aumentando o risco de abortos, parto prematuro e alterações placentárias.

Além disso, apesar de não ser frequente, a endometriose pode sangrar na gravidez causando hemorragias, assim como levar a perfuração da bexiga ou intestino, quando acomete esses órgãos.