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Por que o estresse do isolamento está sendo descontado na comida?

Psicóloga especialista em comportamento alimentar, reação está ligada ao medo da escassez: "Nossa geração nunca passou por um  estresse tão intenso."

Bem Estar|Nayara Fernandes, do R7

Desde que a quarentena foi decretada em diversas cidades para conter o surto de coronavírus (covid-19), o estado de espírito do brasileiro já não é mais o mesmo.

No país mais ansioso do mundo segundo a OMS(Organização Mundial da Saúde), era de se esperar que os efeitos emocionais do isolamento não demorassem a aparecer. Para quem tem condições de permanecer em casa e de colocar comida na mesa, a ansiedade e o apetite redobrados foram uma das primeiras mudanças comportamentais. 

"A comida entra quando a palavra não dá conta de nomear as nossas emoções", explica a psicóloga Raquel Guimarães, especialista em comportamento alimentar e criadora da página no Instagram Meu Querido Corpo. "A gente tem um histórico de escassez que data desde a era primitiva, mas nossa geração nunca passou por um período de estresse tão intenso."

Nossa geração nunca passou por um período de estresse tão intenso.

(Raquel Guimarães)

Tire suas dúvidas e saiba como se proteger do coronavírus

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Segundo a especialista, é o medo da escassez que ativa comportamentos fora da curva como a estocar produtos e "descontar na comida". 

"A comida não tem um valor apenas nutricional, ela tem um valor afetivo e está atrelada a fatores emocionais e sociais. Desde que nascemos, a própria ideia de alimentação está atrelada à ideia de transmitir amor e carinho na amamentação. É por esse fator emocional que a gente tenta lidar com as nossas emoções a partir da comida em um tempo tão complicado." 

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A psicóloga explica que, apesar da quarentena modificar o relacionamento com a alimentação, não é o momento de se cobrar com dietas restritivas, mas de tentar manter a saúde emocional em dia.

Leia também: Por que não é necessário estocar alimentos na quarentena?

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"Assim como adotamos medidas para nos proteger da pandemia, também temos que nos proteger mentalmente e tentar preservar o senso de normalidade. Agora é um momento de mergulho interno. Devemos nos perguntar quanto de informação aguentamos sem 'entrar na nóia'", orienta a psicóloga. 

Para proteger a saúde mental durante a quarentena, Raquel dá as seguintes dicas:

- Acompanhe as notícias por fontes confiáveis e determine quanto tempo do seu dia será gasto com isso. Não fique perdido nos canais de TV e nos boatos de WhatsApp.

- Preserve o senso de normalidade. Mantenha os exercícios físicos em casa e, se estiver em home office, trabalhe da mesa, não na cama ou no sofá. 

- Para dar conta da ansiedade causada pelo isolamento, tente inserir algo no seu dia que você gosta muito de fazer.

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